Lucro, eficiência e ética ambiental ao alcance das lavanderias

Dados de um levantamento recente do Sindicato Intermunicipal de Lavanderias no Estado de São Paulo (Sindilav) apontam a existência de cerca de 8.000 lavanderias domésticas e industriais em todo o Brasil. Além deste indicador quantitativo e global, tal pesquisa fornece informações sobre uma série de características e aspectos das empresas do setor como: geração de empregos, faturamento, parque industrial, tecnologias disponíveis, perfil da clientela, estimativas, potencial de crescimento nos próximos anos e a necessidade de compromisso com a preservação do meio ambiente. Particularmente com o uso racional de seu principal insumo, a água, e sua posterior reutilização.

Uma parcela dos empresários do segmento das lavanderias já possui algum tipo de sistema de reúso de água em seus negócios. Desde então, desfrutam das vantagens que vêm a reboque dessa escolha: lucros, eficiência, poupança significativa do recurso hídrico e sustentabilidade. Enfim, comprovaram que o reaproveitamento de seus efluentes gera um contínuo ciclo virtuoso em seus estabelecimentos. 

Entre as 8.000 lavanderias brasileiras, cerca de 6.000 são as denominadas domésticas, ou aquelas que atendem demandas do consumidor final como a lavagem de peças de vestuário, roupas de cama, mesa e banho, cortinas, estofados e carpetes.

Enquanto isso, outras 2.000 são as chamadas lavanderias industriais, estruturas que atendem hospitais, hotéis, motéis e restaurantes, que realizam a lavagem de roupas profissionais, EPIs (equipamentos de proteção individual) e de peças produzidas pela indústria de confecção (jeans e outras).  

As lavanderias que dispõem de tecnologia de reúso da água são tecnicamente capacitadas para realizar o tratamento de grandes volumes de águas residuais. São dotadas de equipamentos específicos para a remoção de resíduos sólidos, cloros, detergentes, sabões, corantes, solventes, amaciantes, surfactantes e ácidos, entre outros insumos presentes nos efluentes brutos produzidos pelas lavanderias.

A remoção desses e de outros elementos poluentes é realizada por Estações Compactas de Tratamento de Água (ETA), unidades projetadas e desenvolvidas conforme especificidades e necessidades de cada lavanderia ou negócio empresarial. 

A restauração da água em lavanderias que são equipadas com ETAs inclui etapas como a remoção de resíduos sólidos, do lodo e de óleos, procedimentos físico-químicos (para o ajuste da alcalinidade, o controle de material orgânico, vírus e bactérias), coagulação, floculação, decantação, cloração, filtração e a desinfecção. Após esses processos, a água é bombeada para o reservatório principal e novamente está pronta para ser reutilizada na lavanderia. Isso garante economia e, praticamente, a autossuficiência da lavanderia em relação ao sistema público de abastecimento de água. 

Nos tempos recentes, matérias publicadas na mídia têm relatado casos de lavanderias que reduziram drasticamente suas despesas com a conta de água (de abastecimento público) e se tornaram mais eficientes e competitivas após a implantação de suas próprias estações de tratamento e reúso. Os percentuais de economia verificados nessas lavanderias iniciam em 30% e chegam até incríveis 90% – a exemplo da Lavanderia Alba, de Cuiabá, cujo “case” de sucesso foi apresentado pela Agência Sebrae de Notícias.   

Menções de destaque também foram direcionadas às lavanderias hospitalares, que nesses dias de pandemia do novo coronavírus tiveram o seu papel e importância exaltados por porta-vozes do alto escalão político brasileiro, especialmente do Ministério da Saúde. O governo federal classificou as lavanderias hospitalares como um dos negócios primordiais no enfrentamento do Covid-19, em sua missão de garantir a assepsia e a desinfecção de roupas, lençóis, toalhas, campos e paramentos médicos.

A otimização da gestão da água em lavanderias (domésticas ou industriais) sempre foi um diferencial estratégico neste setor empresarial. Mas hoje, neste mundo de negócios cada vez mais criativos e competitivos, e também suscetíveis a instabilidades econômicas (vide os dias atuais!), trata-se de um trunfo básico e indispensável. 

Nesse panorama, o retroabastecimento de lavanderias com suas próprias águas residuais – devidamente coletadas, tratadas e armazenadas conforme legislações e normas técnicas vigentes –, traz benefícios múltiplos. além de garantir a excelência e a qualidade dos serviços ofertados ao consumidor (roupas e outras peças de tecido devidamente limpas, odorizadas e higienizadas), torna esse tipo de negócio mais inteligente, funcional e responsável em relação ao uso racional da água, sua matéria-prima vital.

FATURAMENTO E PERSPECTIVAS

A pesquisa do Sindilav apontou que, em 2018, o faturamento das 5.225 lavanderias instaladas no Estado de São Paulo – sendo 4.225 domésticas e 1.000 industriais – alcançou R$ 3,96 bilhões. No Brasil essa cifra chegou a R$ 5,97 bilhões. Segundo a entidade setorial, as perspectivas para os próximos anos indicam uma expansão do mercado das lavanderias e um crescimento aproximado de 5% na oferta de serviços e em faturamento.

O estudo também identificou uma grande oportunidade de mercado para empreendedores no segmento das lavandeiras. A saber: embora hoje somente 4% da população economicamente ativa do Brasil utilize serviços de lavanderias, o levantamento destaca que mais de 20% deste universo são clientes em potencial desse tipo de empresa. Uma curiosidade é que 70% dos usuários de lavanderias domésticas são mulheres, com idade média de 43 anos.

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As lavanderias que dispõem de tecnologia de reúso da água são tecnicamente capacitadas para realizar o tratamento de grandes volumes de águas residuais. São dotadas de equipamentos específicos para a remoção de resíduos sólidos, cloros, detergentes, sabões, corantes, solventes, amaciantes, surfactantes e ácidos, entre outros insumos presentes nos efluentes brutos produzidos pelas lavanderias.
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